quarta-feira, 2 de junho de 2010

A ave corvídea, preta

Numa sombria madrugada, enquanto eu olhava tevê, fraco, cansado e com fome, sobre um estranho e curioso volume da dança do créu esquecido; enquanto meio que cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu apartamento. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu cafofo - É só isto e nada mais."

Ah, que eu me alembre bueno, foi no triste mês de outubro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, nas caixas, nas gavetas, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente ... - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de ... - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.

E o sedoso, triste e incerto sussurro de janela despida de cortinas, uma até que tinha..., me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu apartamento. Por onde estarão os fósforos? - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu apartamento e eu não tenho fósforos, incensos, somente o ferro para estanho, uns jornais velhos e uma caixa de empanados, empanados!; - É só isto, só isto, e nada mais."

Porém depois meu espírito ficou mais forte, e não mais com dúvidas falei: "Senhor", disse, ou "Senhora", te peço humildemente sincero perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu apartamento, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do apartamento. Nada. Só havia noite e escuridão no corredor e nada mais.

Encarei as profundezas daquelas trevas, como um nêgo véio do Alegrete e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos que mortal ou guasca algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrantável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "...!". Fui eu quem a disse, sim, e um eco murmurou de volta a palavra "...!". Somente isto e nada mais.

De volta, ao apartamento me voltando a passo de cusco novo, todo meu espírito flamejando, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Com certeza," disse eu, "com certeza tem alguma coisa na minha cozinha! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser meu estômago com fome e nada mais!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Abaixo a conciliação forçada!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Segunda-feira chuvosa
Ainda sob efeitos de substâncias medicamentosas
Penso e reflito ainda mais
[se já não o bastante e bastasse, bastaria]
Nada como ser um indivíduo legalmente habilitado a advogar
[me sussurra o sr. Aurélio, espremido entre um repertório de jurisprudência e uma agenda de 2007]
A mão, já fria, procura por fazer:
Folhar umas fotocópias, abrir e fechar pastas, navegar pelo
mundo virtual - graças a uma figura honrosa e bem-aventurada - "estaquear"
maldizeres ao judiciário e ao time do coração junto ao irmão de branco
Os processos, agora também com numeração de um conselho, conselho?,
gritam,
como um vocalista satânico de heavy metal, hehehe...
Lá se vai, segunda chuvosa, segunda dos causídicos ruidosos, casca grossas e constipados, esperançosos por JUSTIÇA e por um dia de sol, amanhã.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Antes, a pedra...

16 anos, o passarinho Quintana partia para cantar seus versos em outras ruas

O último poema

Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar
[pensando sempre noutra coisa!]
Aliás, tudo é sempre outra coisa
– segredo da poesia –
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos desse mundo.
Mário Quintana

sexta-feira, 16 de abril de 2010

NEMBUTSU
Namu Amida Butso
Namo Amida Fo